Cada vez mais Policiais são casos de psicologia e psiquiatria

Estudos científicos da Fiocruz e UERJ comprovam o que o nosso dia a dia lamentavelmente revela: são cada vez mais frequentes os casos de distúrbios mentais que envolvem Policiais Militares, com revelações de intensos sofrimentos psíquicos e relatos de suicídios. O Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP), da UERJ, fez um completo diagnóstico sobre o problema, em trabalho conjunto com a PMERJ, sob a coordenação da cientista política Dayse Miranda. Eis alguns resultados: de 224 Policiais Militares entrevistados, 10% disseram ter tentado suicídio e 22% afirmaram ter pensado em suicídio em algum momento; 68% disseram nunca ter tentado nem pensado em se matar.
De acordo com dados citados na pesquisa, cuja fonte é a própria Polícia Militar, de 1995 a 2009 foram notificados 58 casos de suicídio de Policiais Militares no Rio, mais 36 tentativas de suicídio. Dos 58 óbitos por suicídio de PMs da ativa, três aconteceram em serviço e 55 nos dias de folga. Foram em média três suicídios a cada ano. O número de mortes por suicídio na folga foi 18 vezes maior do que em serviço. O estudo, que contou com a coautoria de cinco psicólogos da Polícia Militar de diferentes áreas, resultou no livro “Por que policiais se matam?”, lançado em 29 de março, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Praça XV.
Desde o começo do século, a professora Maria Cecília de Souza Minayo se dedica, com o uso de metodologia científica, na Fiocruz, a estudar e analisar a vida profissional dos PMs. Juntamente com as pesquisadoras Edinilsa Ramos de Souza e Patrícia Constantino, ela publicou um livro fundamental sobre a violência envolvendo PMs como vítimas: “Missão Prevenir e Proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro”. O livro supre uma carência bibliográfica nos estudos de segurança pública e é fruto de um estudo sociológico que investigou as condições de vida, trabalho e saúde dos Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro, que é a alma mater de todas as outras corporações, constituídas posteriormente.
O Vice-Presidente Robson Paulo afirmou que os estudos produzidos pelas duas grandes instituições científicas, preenchem finalmente, a lacuna que havia na história da PMERJ. “Agora as pessoas leem e refletem sobre pesquisas extremamente bem fundamentadas e que refletem resultados dolorosos não só para a corporação, mas para o conjunto da sociedade. Sobressai-se, acima de tudo, a figura humana do Policial Militar, seja ele Oficial ou Soldado. Os estudos liderados pelas professoras doutoras Maria Cecília de Souza Minayo e Dayse Miranda também abrem caminhos para a busca de soluções” – afirmou o presidente da Caixa Beneficente.
A pesquisa da UERJ-PMERJ, que resultou no livro “Por que policiais se matam?”, alerta para a subnotificação das mortes. As entrevistas com profissionais de saúde da PM sugerem que muitos dos casos de suicídios consumados e tentativas de suicídio não são informados ao setor responsável por inúmeras razões. Entre elas, estão questões socioculturais – o tabu em torno do fenômeno; a proteção ao familiar da vítima (a preservação do direito ao seguro de vida) e a existência de preconceito ao Policial Militar diagnosticado com problemas emocionais e psiquiátricos. O estudo investigou fatores que levam ao suicídio de Policiais e inova ao propor um plano de prevenção do comportamento suicida – com ações que incluem desde palestras até um treinamento para os profissionais de saúde da PMERJ.
Com base nos dados, os pesquisadores estimaram o risco relativo das mortes por suicídio de PMs (homens e mulheres) em comparação ao da população geral do Estado entre 2000 e 2005. Concluíram que o risco relativo de morte de PMs por suicídio foi quase quatro vezes superior ao da população geral. A novidade do trabalho do GEPeSP é justamente mostrar o policial não só como algoz, mas também como alguém em sofrimento psíquico.

Foram entrevistados pelos pesquisadores da UERJ e psicólogos da PM 224 policiais voluntários. Investigados 26 casos de suicídios na tropa, de 2005 a 2009, o que permitiu que fosse traçado um perfil das pessoas: Sargento, Cabo e Soldado do sexo masculino, de 31 a 40 anos, foram as principais vítimas de suicídio.

Segundo o Grupo de Atendimento aos Familiares de Policiais Militares Falecidos, desses 26 policiais que se mataram, duas mulheres; 55% tinham de 31 a 40 anos; 14 eram casados ou viviam em união consensual; 14 tinham pelo menos um filho; nove foram definidos pelos parentes como brancos e 17 como pardos. Dos 26, dez eram evangélicos; 23 eram praças (sargentos, cabos e soldados); dois coronéis e um subtenente. Em relação à situação funcional, 19 eram da ativa e sete eram inativos. Dos 26, 13 trabalhavam em unidades operacionais e três em unidades administrativas.

Com base nas entrevistas dos 224 Policiais e nos diagnósticos com as famílias de 26 Policiais suicidas, os pesquisadores elencaram possíveis fatores para o sofrimento psíquico, culminando nas tentativas de suicídio e no suicídio em si. Esses fatores incluem: rotina de agressões verbais e físicas (perseguições/amedrontamento, abuso de autoridade, xingamentos, insultos, humilhações); insatisfação com a PM, no que concerne à escala de trabalho, infraestrutura, treinamento, falta de reconhecimento profissional, falta de oportunidades de ascensão na carreira e desvalorização pela sociedade; indicadores de depressão variados e problemas de saúde física. “Vemos uma interface de tensão entre o mundo do trabalho, onde o Policial está sujeito a relações abusivas, e o mundo fora do trabalho, onde o PM doente reproduz relações violentas. Tudo isso num contexto em que ele tem acesso a uma arma, o que facilita qualquer ato violento. Outros profissionais também têm problemas no trabalho. Mas não têm uma arma na cintura”, afirmou a professora Dayse Miranda.

Professora Dayse Miranda

Professora Dayse Miranda

“Precisamos muito de qualquer tipo de ajuda”
No livro ”Missão Prevenir e Proteger”, a professora Maria Cecília de Souza Minayo e parceiras afirmam: “Precisamos muito de qualquer tipo de ajuda”. Esta é uma frase ouvida frequentemente. Diversos estudos nacionais e internacionais têm sido dedicados ao tema que resumimos na palavra “estresse” na carreira do Policial. No caso dos Policiais Militares do Rio de Janeiro, esse é um problema mais citado por eles como o que afeta e influencia sua saúde mental. O uso do termo por eles corresponde ao que teoricamente chamamos de “estressores psicossociais”, ou seja, a valores e circunstâncias do ambiente em que o indivíduo está inserido, capazes de perturbar seu comportamento normal ou exacerbar um transtorno psíquico.
Em 2014, 9.321 PMs necessitaram de auxílio psicológico

Em depoimento na CPI da Alerj (2/12/2015), destinada a apurar causas do grande número de mortes e incapacitações de profissionais de segurança pública, o tenente-coronel Fernando Derenusson, do Núcleo Central de Psicologia da PMERJ, revelou que 9.321 policiais necessitaram de auxílio psicológico, em 2014. O total representou aumento de 2.301atendimentos em relação a 2013. No final do ano passado, 718 agentes estavam licenciados para tratamento psiquiátrico.  O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, deputado Paulo Ramos, disse que “a pressão sobre esses agentes é enorme e fruto de uma política centrada na guerra e na morte”.

Tenente-coronel Fernando Derenusson (primeiro a direita ao microfone), do Núcleo Central de Psicologia da PMERJ, em audiência na ALERJ

Tenente-coronel Fernando Derenusson (primeiro a direita ao microfone), do Núcleo Central de Psicologia da PMERJ, em audiência na ALERJ


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